quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Organizando ideias em meio a caminhadas

Recentemente fiz um enorme trajeto por São Paulo, saindo da Rua Turiassu, atravessando a Sumaré inteira até chegar na Dr. Arnaldo e depois descer a Consolação até o Anhagabaú. Tudo isso andando.

- Nossa Marcus, você é louco de andar tudo isso? – A amiga que encontrei na sequência dessa caminhada ficou indignada com a extensão percorrida.

Mas andar sozinho em um grande percurso é algo que me faz bem. Arejar a cabeça, especialmente quando as ideias estão em descompasso, é uma coisa que considero fundamental. Essas caminhadas também me servem como fonte de inspiração, uma vez que longas caminhadas consistem em passar por lugares diferentes e por consequência, observo muito mais coisas que estão ao redor.

Nesse percurso descrito no parágrafo inicial, enquanto eu refletia uma decisão bem importante no âmbito pessoal, eu dei uma rápida parada pela ponte da Dr. Arnaldo com vista pra Paulo VI. Era alto. Por mais que eu tenha medo de altura, achei que seria importante limpar a mente naquele ponto, olhando pra frente e apoiado em um muro falando algo sobre “hipsters”.

Tomei a decisão ali e andando passei a planejar os passos seguintes. Me senti muito bem com isso.

Não é de hoje que faço caminhadas para reflexões. Comecei essa “terapia” ainda na época da faculdade. Muitas vezes eu simplesmente ia para o Parque do Ibirapuera, andava ao redor do lago, das árvores e me sentia sereno o suficiente pra seguir em frente.

Uma das caminhadas mais importantes foi no final do 5º semestre, em 2008, quando eu pedi demissão de um estágio remunerado que estava para fazer o estágio voluntário da faculdade em tempo integral e assim poder entregar as horas complementares que estava devendo – já que a então coordenadora, resolveu mudar as regras naquele semestre e se eu não entregasse, ficaria de DP e perderia a bolsa que tinha. Estava desolado, beirando o desespero mesmo, mas consegui me organizar e dar o devido foco a essa situação. O saldo final foi de muito stress – sobretudo na vida pessoal –, mas consegui contornar a situação e semanas depois consegui outro estágio remunerado na área.

Durante 2011 fiz outro tipo de terapia: com psicóloga. Dessa vez sem aspas, porque definitivamente os meses de sessões foram importantes para que eu mudasse muitas atitudes e espantasse vários fantasmas que me atormentavam no passado. E o trajeto que fazia de casa até a psicóloga também era andando. Não era um caminho tão longo quanto os descritos anteriormente, mas demandava um certo tempo para chegar lá apenas na caminhada. Na ida, eu ruminava os tópicos daquilo que eu estava sentindo e na volta, desenvolvia meios de melhorar tudo aquilo que foi discutido, para que tudo acontecesse da maneira mais natural possível. Ouso dizer que essa decisão de ir e voltar andando foi fundamental para muitas melhoras.

Esse tempo que dispomos para nós mesmos é algo que considero de importância ímpar na minha vida, o silêncio que ecoava na minha mente muitas vezes se transformava em caminhos. Quando eu caminhava com um fone de ouvido, as vezes a própria melodia me fazia desenvolver linhas de raciocínio a respeito de situações.

Enquanto eu tiver pernas e fôlego, farei essas caminhadas aleatórias que de alguma maneira, me fazem bem. Pra outros pode não fazer, mas o que for necessário para que a pessoa estimule o pensamento e coloque em ordem as ideias, que faça.

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