Novembro de 2005, a lousa da sala do 3º ano estava toda rabiscada com uma caneta que tinha uma tinta bem difícil de remover. Esse ato provocou a última das muitas vezes que a então diretora do colégio subiu na nossa sala para falar um monte para os alunos e ser solenemente ignorada. Os mesmos alunos que rabiscaram tudo estavam em prantos, todos com mensagens escritas na camiseta e dando adeus a uma fase importante da vida. Fim de uma era.
Por mais que o tom das últimas semanas tenha sido de emoção, a sintonia das pessoas entre si ao longo dos anos não era boa, afinal, meses antes da despedida, a sala teve que fazer um trabalho coletivo em uma peça de teatro. Substantivos como “desordem” e “discórdia” foram palavras chaves para resumir a bagunça coletiva que ficou visível na apresentação para o público, cheio de falhas e completamente impossível de se entender algo.
A única coisa realmente memorável e diferenciada que nossa sala deixou de legado foi uma camiseta confeccionada por uma colega de classe que tinha uma habilidade fora do comum em fazer ilustrações. Na frente da camiseta estavam estampados os rostos dos professores e nas costas, os nomes dos 30 e tantos alunos que fizeram parte daquela sala. Para minha surpresa, no ano passado descobri por intermédio de uma aluna atual que um dos nossos antigos professores ainda usa aquela camiseta para dar aulas para o pessoal mais novo. Confesso que isso me deixou bem feliz.
Por mais que minha relação com muitas pessoas que convivia diariamente não tenha sido das melhores, durante os anos de faculdade eu me pegava pensando como seria se em algum momento todos estivessem ali no mesmo recinto de novo. As atitudes, imagino que seriam diferentes, já que hoje somos todos adultos e um enorme caminho foi percorrido por todos desde então. A faculdade acabou, as obrigações mudaram e o mundo adulto chegou com a potência de um tornado. A vida seguiu.
Não tinha nenhuma expectativa para um possível reencontro até que para a minha surpresa, no final de julho de 2012 me deparei com um convite no Facebook sobre uma reunião dos formandos do 3º ano de 2005.
Meu primeiro sentimento a respeito de uma possível reunião foi curiosidade. Como estão essas pessoas hoje? Por mais que eu mantenha contato com algumas pessoas, a grande maioria – mesmo aqueles que continuei vendo durante a faculdade, mas que o acaso da vida separou – não vejo faz um bom tempo. Algumas dessas pessoas, a última vez que vi foi justamente naquele dia em que a sala de aula foi rabiscada com uma tinta difícil de sair.
Pode até ser que o reencontro não aconteça – estamos em setembro e a “animação” inicial de todos referente ao reencontro aparentemente caiu por terra -, mas para bem ou para mal, aquele fim de 2005 foi a época onde todos ali ainda estavam na fase de sonhar com o que faria com a vida. Sete anos depois, me encontro surpreso com a remota possibilidade de um reencontro, com todos já adultos. Os caminhos podem não se cruzar novamente, mas de algum jeito, essas pessoas fizeram parte de um cotidiano onde construí uma base inicial para crescer. Fazem parte da minha vida.
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